Educação e Formação

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Educar, no contexto da escola, não é uma tarefa fácil pelas implicações inerentes ao aluno, professor, família e sociedade em geral. Esta dificuldade é ainda mais visível quando se tentam conciliar múltiplas atitudes dos intervenientes face à aprendizagem. Ou seja, o aluno é, ou pode ser, confrontado com realidades diferentes ou mesmo contraditórias. Os valores, os padrões familiares e culturais, assim como a cultura da escola e do professor podem criar alguma tensão no processo de ensino/aprendizagem. Por outro lado, alguns preconceitos podem ser impeditivos de uma educação holística no âmbito da realidade humana individual e social. Ninguém se pode esquecer que o homem é um ser de desejos porque tem em si uma fonte de energia que alimenta a sua vontade.
O processo educativo não se limita a uma certa fase etária ou estádio de desenvolvimento. Pelo contrário, percorre toda a vida do sujeito e tende sem em para o futuro, ou seja, é intrínseco ao devir da pessoa humana. Neste processo de interacção, que se pretende abrangente e globalizante, o equilíbrio é sempre uma meta a alcançar.

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Nesta sequência pode perguntar-se o que é a educação? A etimologia da palavra educação tem origem no latim e transporta diferentes significados. Contudo, no contexto deste trabalho, partilho da etimologia e-ducere, «conduzir para fora de». Este é um sentido primordial. A educação revela-se assim como algo dinâmico, um caminho, um itinerário que leva o sujeito de um lugar para outro. Mas onde tem início o caminho, onde termina e qual a sua natureza?

A propósito desta questão recordo-me de ter tido um professor de Moral que no segundo ano do curso de enfermagem perguntou à turma quando é que acham que devem começar a educar os vossos filhos? A esta questão a maior parte da turma respondeu: que é à nascença que se deve iniciar este processo. O qual por sua vez respondeu à turma: “meus queridos amigos, eu estou convencido que este processo deve começar vinte anos antes de nascerem”. Este professor, o Padre Mário Casagrande, via a educação como um processo dinâmico que teve início com o aparecimento do homem inteligente na terra, cujo fim último é preparar a espécie para os desafios que vão surgindo à medida que os milénios passam, é intergeracional.

A educação é objecto de diversas definições. Entendida como uma determinada prática para L. Santos (2003, p23) em que: “pretende levar ao desenvolvimento de todas as facetas da personalidade humana.”
É uma temática que, desde os pensadores gregos sempre esteve aliada à filosofia. Eram precisamente os Gregos que, na sua época, entendiam a educação não como a simples transmissão de uma techne ou de uma theoria, mas como uma formação global do homem (paideia). Neste sentido, as questões educacionais surgem como preocupação principal na cultura grega.

Para René Hubert (1996, Lexicoteca, Vol. 7, p.94), “a educação é o conjunto das acções e das influências exercidas volunta¬riamente por um ser humano num outro, em princípio por um adulto num jovem, e orientadas para um fim que consiste na formação, no jovem, de toda a espécie de disposições que correspondem aos fins a que é destinado quando atinge a maturidade”. Assim, face a este conceito poderemos entender que os fins educacionais relacionam-se com os papéis ou fun¬ções que os indivíduos desempenham dentro da sociedade. Logo, a educação e a sua prática estão dependentes do tempo histórico e de factores políticos, sociais, económicos e culturais. A educação e formação do homem acontece tendo por referência a concepção da sua natureza e dos valores que o devem orientar.

Para Abílio Figueiredo (2004, p 76), qualquer sociedade transporta algo intrínseco, ideais e valores a preservar. Exactamente por isso, os modelos de educação podem ser eventualmente dife¬rentes de sociedade para sociedade, de cultura para cultura, assim como o foram em termos de evolução histórica. Não é estranho também que várias instituições procurem assumir-se como os vectores fundamentais da educação. Para além das boas intenções é uma forma, talvez, de controlar a dinâmica social.
Para o mesmo autor que, desde sempre os Estados têm tido um papel preponderante na educação e no ensino, sobretudo nas vertentes da sua organização e controlo. Nas sociedades abertas, as funções educativas são repartidas pela família, pelo Estado e por instituições privadas e, nalguns casos, pela sociedade civil. Pode dizer-se que o Estado tem um papel de equilíbrio na dinâmica da educação. Evidentemente que a ideologia, os objectivos e as estratégias de um determinado Governo têm um impacte forte (positivo ou negativo) nas linhas de condução do processo de ensino/aprendizagem. Todo este processo é sustentado pela lei de bases do sistema educativo, em que o autor muito bem explica na figura seguinte.

O processo educativo antecipa a consciência explícita e falante do sujeito, mas é necessário compreender que o nó entre natureza e cultura é já posto como pressuposto, de tal maneira que toda a educação não será senão o desabrochar destas virtualidades contidas neste nó. O homem nunca existe numa situação de pura natureza, pois o relacionamento intersubjectivo transporta-o para além da sua biologia. A educação é um processo lento e longo e consiste em acompanhar a emergência do espírito no corpo e não em cima do corpo.

Para Renaud (2000, p36), falar do caminho da educação é falar do desenvolvimento do ser humano em direcção ao futuro. Ao dar lugar ao caminho educativo, o sujeito abre-se ao mundo, alcança novas qualidades porque não se limita a interiorizar o saber e o mundo em si, mas a implementar traços de criatividade que o projectam para o futuro. Dá assim originalidade e singularidade a si mesmo, adquirindo a sua própria visão do mundo. Não é só o mundo dos objectos, mas a forma como cada um se situa, age e reage face aos outros.

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