Liderança e Relação

LIDERANÇA E RELAÇÃO

Para terminar este capítulo julgo ser importante referir-me aos processos de liderança e da relação que para muitos autores serão um factores muito importantes que influenciarão todo o processo de desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens enfermeiros.

LIDERANÇA

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A liderança está intimamente relacionada com as competências de comunicação e de transmissão de ideias, e pode ser vista como um fenómeno de influência interpessoal. Passo agora a transcrever dois conceitos de Liderança que se enquadram na supervisão clínica como processo de ajuda ao desenvolvimento pessoal e profissional:

  • É um fenómeno de influência interpessoal exercida em determinada situação através do processo de comunicação humana, com vista à comunicação de determinados objectivos, Fachada (1998);
  • É um processo de influência e de desempenho de uma função grupal orientada para a consecução de resultados, aceites pelos membros dos grupos. Liderar é pilotar a equipa, o grupo, a reunião; é prever, decidir, organizar, Parreira (2000)

Assim, poderemos concluir que liderança será a capacidade de influenciar pessoas para que se envolvam voluntariamente em tarefas para a concretização de objectivos comuns. O supervisor clínico terá que ser líder neste processo de desenvolvimento. O tipo de liderança a pôr em prática dependerá de múltiplos factores: da personalidade do supervisor, das características pessoais da pessoa que vai ser orientada, dos diferentes contextos da prática. Poderá ser necessário recorrer em simultâneo a vários tipos de liderança.

A liderança é, desejavelmente, um processo que implica capacidade de influenciar os outros através de um processo de comunicação, com o objectivo final de realizar uma tarefa. A liderança deve ser alvo de auto-análise e autocrítica, já que ela é um processo interactivo, que não acontece com uma pessoa isolada.

O comportamento de liderança engloba diversas funções relacionadas com o estruturar, distribuir funções, orientar, coordenar, controlar, motivar, elogiar, punir, reforçar, etc. Contudo, o fundamental da liderança baseia-se no direccionar o grupo para metas específicas. Assim surgem duas funções consideradas essenciais do líder, e que são coordenar (planear e organizar) e desenvolver (influenciar e controlar). Dentro do planear inclui-se: determinar objectivos, fazer previsões, analisar problemas tomar decisões formular e/ou apoiar políticas; no organizar: determinar actividades necessárias para alcançar objectivos (as várias etapas), classificar e distribuir o trabalho pelos grupos e pelos sujeitos; no influenciar: comunicar para que os indivíduos contribuam para a obtenção dos objectivos, de acordo com as finalidades da organização; no Controlar: actividade de conferir o trabalho realizado segundo o plano, corrigir os desvios verificados, alterar e readaptar caminhos e planos.

RELAÇÃO

Vieira (1993), entende o supervisor como aquele que orienta e exerce a tarefa de supervisão sobre alguém, sendo que para isso ele terá que estabelecer um bom clima afectivo-relacional, que sem ser castrante ou intimidante terá de ser exigente e em simultâneo estimulante.

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Em relação a este assunto Tavares e Alarcão (2003), entendem também, que é necessário estabelecer um bom clima afectivo-relacional numa atmosfera de entreajuda recíproca, aberta, espontânea, autentica cordial, empática, colaborativa e solidária entre supervisor e supervisando. E passo a citar Tavares e Alarcão (2003, p.61): “(…) porém à disposição um do outro o máximo de recursos e potencialidades, de imaginação, de conhecimentos, de afectividade, de técnicas, de estratégias de que cada um é capaz a fim de que os problemas que surjam no processo de ensino/aprendizagem dos alunos e nas próprias actividades de supervisão sejam devidamente identificados, analisados e resolvidos.”
Para que este bom clima e ambiente saudável possam existir é condição que a relação existente seja boa, uma relação intrapessoal e interpessoal, entre todos os intervenientes, numa dimensão de entreajuda, colaboração, abertura e negociação.

Fonseca (2006), citando Tavares (1993), refere-se a esta relação intrapessoal como uma relação que tem lugar numa dimensão humana e pessoal, onde a mobilização e integração de conhecimentos ocorre de forma consciente, subconsciente ou inconsciente, onde a realidade social em constante mudança, o acabamento/inacabamento e o maior ou menor grau de previsibilidade das situações, são fontes de análise e reflexão para a sua reconstrução, para a sua constante adaptação e readaptação, para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Para o mesmo autor a relação interpessoal por sua vez adquire todo o seu sentido, numa perspectiva de reciprocidade, assimetria e dialéctica. Esta relação, a nível da formação caracteriza-se pela acção pessoal, com um determinado objectivo e realiza-se nos dois sentidos formador/formando.
Neste sentido segundo Fonseca (2006), a relação supervisiva adquire contornos de natureza cognitiva, onde o indivíduo é o principal agente de mudança, e de ordem afectiva. Há umka aceitação recíproca entre formador e formando, percebem-se e aceitam-se como seres independentes, com diferentes pontos de vista que tentam compreender, com as suas histórias de vida, com sentimentos e emoções, numa interacção recíproca e dinâmica intersubjectiva, numa relação aberta, verdadeira, empática, autentica que se desenrola numa atmosfera de disponibilidade.
É portanto nesta linha que o processo de supervisão deve ser visto numa dimensão que favorece o desenvolvimento do supervisor e do supervisando.

Apoiada numa relação interpessoal encorajadora e facilitadora, a actividade supervisiva realça como essenciais, a realização de tarefas, uma relação supervisor, supervisando e conhecimento, esta relação deverá ser harminiosa e promotora de desenvolvimento bilateral.

Resta-me ainda para dar por terminado este capítulo fazer um pequeno resumo sobre o que nele foi abordado, começamos por nos interligar com a pedagogia como ciência onde a supervisão clínica se fundamenta, em seguida abordamos a supervisão clínica como locomotiva do desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros. Debruçámo-nos sobre conceitos como crescimento, desenvolvimento, maturidade, pessoa e rapidamente chegámos à importância que a supervisão poderá ter no desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros. É confortável saber que temos uma Ordem profissional que se preocupa e faz reflexão sobres estes aspectos propondo um modelo de desenvolvimento pessoal e profissional que utiliza a tutoria e a supervisão clínica como motores do desenvolvimento dos enfermeiros. Terminamos com uma pequena abordagem à liderança e à relação entre supervisiva como elementos que influenciam todo este processo de supervisão clínica no desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros.

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