Modelos de Supervisão

MODELOS DE SUPERVISÃO

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Para Fonseca (2006, p22), a prática da supervisão adquire estruturas, modelos e cenários que se constituem na descrição e explicação da realidade da supervisão, estes descrevem os sistemas, estratégias, meios e requisitos que permitem responder aos interesses de cada um e de todos os intervenientes no processo.

Todos os modelos existentes acerca deste assunto permitem-nos fazer uma determinada leitura da realidade prática da supervisão, sendo cada um deles e todos eles realçam premissas que se complementam e facilitam a construção de caminhos próprios.

Garmston e tal. (2002), refere-se a três categorias de modelos: modelos técnicos-didáticos; modelos artísticos-humanistas e modelos de desenvolvimental-reflexivos.

Alarcão e Tavares (2003), por sua vez falam-nos em nove cenários de supervisão: imitação artesanal; aprendizagem pela descoberta guiada; behaviorista; clínico; psicopedagógico; pessoalista; reflexivo; ecológico e cenário dialógico. No entanto os autores alertam que todos estes cenários mais virtuais que reais não devem ser entendidos como compartimentos estanques que se excluem mutuamente na medida em que poderão coexistir em simultâneos vários destes processos. A estes nove cenários subjazem diferentes concepções relativas a: relação entre teoria e a prática; formação e investigação; noção de conhecimento como saber constituído e transmissível ou construção pessoal de saberes; papeis do supervisor ou professor; noções de educação e de formação de professores ou supervisores; assunção da escola como centro de formação ou como mera estação de serviço à formação;

Gostaria de destacar o cenário reflexivo por entender ser este o que mais se adequa à enfermagem dos nossos dias, no nosso contexto actual de desenvolviemnto pessoal e profissional, faz todo o sentido uma prática reflexiva, ou seja refletir sobre a acção e na acção, aprender fazendo e reflectindo, com a necessária flexibilidade nos avanços e recuos inerentes a todo este processo de construção de saber.
A profissão de enfermagem tem estado sujeita ao longo dos tempos a uma série factores que têm contribuído para que esta tenha evoluído como profissão autónoma numa busca constante pela excelência dos cuidados, sendo que actualmente num ambiente onde as opções políticas, a entidade reguladora da profissão (OE) e a própria sociedade exigem cada vez mais qualidade aos cuidados de enfermagem. A prática reflexiva será uma óptima ferramenta ao serviço da consolidação destes objectivos e destas exigências. A chamada racionalidade crítica que permite avançar e/ou recuar nas nossas acções promovendo a mudança e a construção de saber ao serviço de todos.
O processo formativo envolvido neste cenário combina acção, experimentação com reflexão dialogante entre o observado e o vivido, sendo que se aprende, fazendo e pensando. Neste cenário o Supervisor clínico deverá encorajar à reflexão na acção, à reflexão sobre a acção e à reflexão sobre a reflexão na acção, com benefício para o supervisado e para ele próprio que desenvolverá em si a capacidade de autosupervisão.

Passo agora à digitalização destes nove cenários preconizados por Tavares e Alarcão, extraídos do Livro: Supervisão da Prática Pedagógica, 2ª edição, 2003, p 17-43. Parte I, Parte II

É ainda nesta temática de cenários de supervisão que Sá Chaves (2002), entrando em linha de conta com o supervisor como uma pessoa adulta em presença de um outro adulto, que tem como missão fundamental facilitar o desenvolvimento e a aprendizagem do outro, não devendo fazê-lo como se faz a um aluno do secundário. Devendo considerar as experiências passadas, os sentimentos, percepções e capacidades de auto-reflexão, não dando receitas como fazer mas sim criar junto do supervisado, com o supervisado e no supervisado um espírito de investigação-acção, num ambiente emocional positivo, humano e facilitador do desenvolvimento pessoal e profissional de ambos. E é com base nestas reflexões que Sá Chaves chama a este cenário de Integrador e a partir dele desenvolve o conceito de supervisão não standard, a única que permite respeitar o direito à diferença.

Em jeito de resumo deste capítulo passo a rever sucintamente o que foi abordado até ao momento: começamos pelos diferentes conceitos de supervisão e destacaria o conceito de Alarcão e Tavares por considerar aquele que é mais abrangente e o que melhor se adapta à nossa profissão o qual nos diz que supervisão, é o processo em que uma pessoa experiente e bem informada, orienta alguém no desenvolvimento humano, educacional e profissional, numa atitude de monitorização sistemática de prática sobretudo através de procedimentos de reflexão e experimentação. A supervisão visa o desenvolvimento de competências no aluno e deve promover neste uma atitude de confiança e de responsabilidade pela qualidade do seu desempenho.
Seguidamente vimos que entre as principais funções do supervisor podemos destacar a de sustentação da formação e actividade bem como a promoção da mudança.
Abordamos as principais características do supervisor sob a perspectiva de diferentes autores, verificando-se quase um consenso acerca das características que estes devem ter para desempenhar bem o seu papel, perícia, experiência, aceitabilidade e formação são características referidas por muitos autores.
Vimos que os estilos de supervisão não são aplicados de forma absoluta nos supervisandos. Estes têm que ser aplicados em função de múltiplos factores. Por vezes poderá haver tendência a um determinado estilo de supervisão mas não invalidando que se possa ser num processo de integração directivos, não directivos ou de colaboração em alturas diferentes face a diferentes contextos.
O ciclo de supervisão, como começa e como acaba todo este processo. Iniciando-se com a formulação de objectivos, terminará com avaliação do todo o processo.
Terminamos este capítulo com a explicitação dos modelos de supervisão, vimos mais uma vez que a fundamentação de Alarcão e Tavares sobrepõe-se à dos outros autores. Analisámos os seis cenários propostos por estes dois autores os quais nos dão a ideia que todo este processo é flexível podendo cada cenário ser utilizado em função dos múltiplos factores que intervêm em todo o processo.

O capítulo seguinte abordará a ciência estruturante da supervisão clínica, a pedagogia, abordarei os aspectos que esta ciência da educação fornece como alicerce à supervisão clínica.

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