O Ciclo da Supervisão

O CICLO DA SUPERVISÃO

Em relação a este aspecto Alarcão e Tavares (2007), consideram a existência de quatro fases no ciclo da supervisão:
1 - Encontro pré-observação;
2 - Observação propriamente dita;
3 - Análise dos dados;
4 - Encontros pós-observação; que é conveniente proceder-se, de tempos a tempos, à análise e avaliação do processo realizado e dos efeitos obtidos, podendo portanto considerar-se uma quinta fase, de balanço ou avaliação do próprio processo.

1- Encontro pré-observação – tem lugar antes de uma actividade educativa e tem por principais objectivos: a) ajudar o formando na análise e tentativa de resolução dos problemas ou inquietações que se lhe deparam e que podem ir desde o problema mais simples até qualquer outro assunto que mereça ser anali¬sado, observado, resolvido; b) decidir que aspecto(s) vai (ou vão) ser observado(s).
É necessário que se estabeleça uma comunicação natural, a fim de que todo este processo dê resultados positivos. Entre os elementos que impedem uma boa comunicação podem citar-se a ansiedade e o desconhecimento do papel exacto que cada pessoa tem num determinado processo, pelo que, nesta fase do ciclo da supervisão, sobretudo se se trata do primeiro ou primeiros encontros, é fundamental que o supervisor seja bem claro relativamente à sua concepção de super¬visão, aos seus objectivos e à sua atitude para com o formando. Imperioso se toma também que as funções de cada um no processo de supervisão sejam inequivocamente definidas. Há como que um contrato a estabelecer, a negociar entre ambas as partes. A clareza, a transparência e a falta de ambiguidade são as palavras de ordem, as pedras de toque. Como escreve Galloway, a falta de comunicação gera ansiedade.

Para exemplificar esta fase de um modo mais realista transcrevo de Alarcão e Tavares (2007, p84-85), um exemplo prático de uma professora estagiária num contexto de supervisão pedagógica
Em resultado desta entrevista de orientação elaborou-se uma grelha de observação muito simples que permitisse colher dados em relação às perguntas feitas pela professora estagiária à sua turma e as respectivas respostas.

2- Observação propriamente dita – Por observação, neste contexto, entende-se o conjunto de actividades destinadas a obter dados e informações sobre o que se passa no processo de ensino/aprendizagem com a finalidade de, mais tarde, proceder a uma análise do processo numa ou noutra das variáveis em foco. Quer isto dizer que o objecto da observação pode recair num ou noutro aspecto: no formando, no utente, na interacção utente-formando, no ambiente físico, no ambiente sócio-relacional, na utilização de materiais e técnicas, na utilização do espaço ou do tempo, nos conteúdos, nos métodos, nas características dos sujeitos, etc. Nunca é demais chamar a atenção para a diferença entre observação e interpretação. Estas duas actividades estão tão intimamente relacionadas que quase poderíamos dizer que a observação compreende duas fases: registo do que se vê e interpretação do sentido do que se viu. Embora difícil, é necessário distinguir entre uma actividade e a outra. Um dos problemas que se põem ao supervisor é saber como deve observar, que estratégias de observação deve utilizar. Será necessário proceder a uma observação sistemática, utilizar um instrumento devidamente validado ou bastará recorrer ao método menos sofisticado de tirar notas? No caso de se decidir pela utilização de um instrumento, que tipo de instrumento utilizar? No caso de notas, como tirá-las?
Exemplificando, passo a mostrar um exemplo de grelha de observação, útil nesta segunda fase do ciclo da supervisão clínica, extraída de Alarcão e Tavares (2007,p87)

3 - Análise dos dados – esta fase será a que se segue após a observação e permitirá ao observador ordenar e analisar o fruto da sua observação. Esta análise poderá ser mais ou menos morosa em função dos dados que se colheu e da abordagem utilizada. Estes dados poderão ser tratados de forma quantitativa ou qualitativa, em função uma vez mais do que se pretende estudar, quantificar ou qualificar.

4 – Encontro pós observação – Parte das observações feitas a respeito do encontro pré-observação são também válidas para o encontro pós-observação. Referimo-nos, é evi¬dente, ao clima em que deve decorrer, à necessidade de estabelecer uma comunicação isenta de ambiguidades, ao papel activo que o formando deve ocupar e à variedade de estilos e estratégias a utilizar.
A finalidade do encontro, essa é diferente. O formando deve reflectir sobre o seu “eu” e sobre o que se passou na sua interacção com os utentes para alterar, se necessário, um ou outro aspecto que não esteja em consonância com o que deveria ser mais correcto. Ao fazê-lo, está a ser não apenas agente, mas também sujeito activo, O supervisor deve ajudá-lo a reflectir, a interpretar, a ver a realidade por detrás de números, categorias, incidentes ou descrições. Para isso utilizará dados que recolheu e analisou, servir-se-á da interpretação que lhes deu, das dúvidas suscitadas a necessitar de esclarecimento por parte do formando, das hipóteses levantadas a discutir também com o professor e das estratégias de supervisão que melhor se ajustem à sua função de agente de desenvolvimento e aprendizagem. Mas utilizará também os dados que o formando lhe fornecer através das suas perguntas e comentários, na sessão, ou no Portefólio de estágio, se existir.

Para Wilson Abreu (2003), a Supervisão Clínica deverá responder a um conjunto de variáveis relacionadas com a gestão, formação e suporte emocional, sendo que o processo de supervisão clínica desenrolar-se-á segundo um ciclo de seis etapas: objectivo, identificação do problema, contextualização, planeamento, implementação e avaliação.
O trajecto da supervisão incide sobre situações reais, sobre indivíduos em interacção e sobre dinâmicas de colaboração. A resolução de problemas, a tomada de decisão ou a definição de uma personalidade estão dependentes de uma interacção entre a teoria e a prática bem como com a configuração do “modus operandis” e de processos de autonomização que deverá ser progressiva.

Wilson Correia Abreu, em Supervisão, Qualidade e Ensinos Clínicos: Que Parcerias para a Excelência em Saúde. Cadernos Sinais Vitais, 2003, p19, entende a Supervisão Clínica, como um ciclo constituído por seis fases conforme podemos apurar pela digitalização do extracto constante na sua publicação.

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