Teorias do Desenvolvimento Humano

TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

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Para os teóricos da aprendizagem o desenvolvi¬mento humano “resulta da aprendizagem, com base na experiência ou adaptação ao ambiente”, reforçando que” a vida é um contínuo processo de aprendiza¬gem: novos eventos e novas experiências desenvolvem novos padrões de comportamento” (Berger, 2003).

Neste contexto, surgiu a teoria behaviorista defendendo que os seres humanos em todas as idades aprendem sobre o mundo da mesma maneira que os outros animais: reagindo a aspectos do meio ambiente que acham agradáveis, dolorosos ou ameaçadores esta teoria centra-se em dois tipos de aprendizagem: o condicionamento clássico (Pavlov, 1849-1936) e posteriormente aplicado em crianças por Watson (1878-1958) e o condicionamento operante (Skinnerl904-1990).

Mais recentemente Bandura (1983) desenvolveu uma extensão da teoria da aprendizagem, denominada aprendizagem social. Esta teoria dá ênfase à aprendizagem observacional e à modelagem. Assim os indivíduos modificam o seu comportamento em função do modo como as outras pessoas do grupo se comportam. A aprendizagem social também é influenciada pelo auto-conhecimento. Deste modo, os padrões que estabelecemos para nós mesmos e a confiança que temos na nossa capacidade para os cumprir, influenciam a nossa disposição para aprender com as outras pessoas, sejam elas os nossos pais, amigos, orientadores ou celebridades.
Na sequência desta teoria surgiu a perspectiva cognitiva centrada nas mudanças qualitativas, nos processos de pensamento e no comportamento que reflecte tais mudanças. Nesta teoria o desenvolvimento cognitivo resulta numa capacidade crescente de adquirir e usar o conhecimento sobre o mundo. Também enfatiza as mudanças qualitativas, considerando a pessoa como contri¬buinte activo no seu próprio desenvolvimento.

As várias perspectivas cognitivas têm a sua origem na perspectiva estrutural cognitiva de Piaget (1896-1980) que, conceptualiza o desenvolvimento humano em estádios, que se vão complexificando numa sequência hierárquica, a partir das experiências que são proporcionadas aos sujeitos em desenvolvimento (Berger, 2003).

As teorias psicanalista, da aprendizagem e cognitivista são consideradas como grandes teorias porque cada qual apresenta uma poderosa estrutura que nos possibilita interpretar e compreender as modificações e o desenvolvimento de todos os indivíduos, em todos os contextos, através de todos os aspectos (Renninger e Amsel, 1997 citado por Berger, 2003).

Outras são chamadas teorias emergentes, porque procedem de várias mini teorias acumuladas que se podem tornar nas teorias sistemáticas e abrangentes do futuro. Por exemplo, a teoria sociocultural (Vvgotsks, 1896-1934) enfatiza uma nova apreciação do contexto social, procurando explicar o crescimento do conhecimento e das qualificações individuais em função da orientação, do suporte e da estrutura que a sociedade nos oferece.

Abreu (2003), fundamentando-se na teoria de Vygotsky, e na de Spouse (1998), afirma que em oposição às teorias Behavioristas que o desenvolvimento pessoal seria o resultado de maturação física e cultural, sendo que a aprendizagem social e cognitiva influencia a maturação e é facilitada pelo contacto social. Resultando destes pensamentos que a interacção social será uma fonte dominante de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal, social e profissional.

Surge, também, a teoria dos sistemas epigenéticos que realça a interacção dinâmica e recíproca entre os genes e o ambiente, a partir da perspectiva etológica (Lorenz, 1957; Eowlhy, 1951) de bases biológicas e evolutivas do comportamento, particularmente nos períodos de desenvolvimento.

A teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano de Une Bronfenbrenner (1992), é a mais recente teoria, veio a acrescentar a variável contexto para a compreensão do desenvolvimento humano. Esta teoria ressalta basicamente que o desenvolvimento humano é apoiado em quatro ní¬veis dinâmicos e interrelacionados: a Pessoa, o Processo, o Contexto e o Tempo (Bronfenbrenner, 1996 citado. por Alves, 1997). Para este teórico toda a pessoa é significativamente influenciada pelas interacções entre os ecossistemas que se sobrepõem: mesosistema, microsistema, exosistema, e macrosistema, denominados contexto do desenvolvimen¬to humano, que compõem o cronosistema. Os contextos sociais, económicos, culturais e históricos fazem parte cio macrossistema; o sistema escolar, sistema de saúde, a co¬munidade e a comunicação social integram o exosistema; do microsistema fazem parte a família, os amigos e a estrutura religiosa (Berger, 2003).

Nos anos 50 e 60 em resposta às crenças negativas sobre a natureza humana subjacentes às teorias psicanalíticas e behavioristas surge a perspectiva humanista. Os teóricos humanistas enfatizam a capacidade das pessoas, independentemente da idade ou circunstâncias de assumirem o controle das suas vidas e promoverem o seu próprio desenvolvimento por meio das capacidades exclusivamente humanas de escolha, criatividade e auto-realização.

As concepções teóricas desenvolvidas por Carl Rogers baseiam-se, sobretudo na sua experiência clínica e assentam num conjunto de conceitos chave: autenticidade, congruência, aceitação incondicional e empatia (Rogers, 1985).
A noção de desenvolvimento pessoal surgiu nos anos 1950-1960 nos Estados Unidos, e tem origem no conceito de desenvolvimento apresentado por C. Rogers e G. M. Kinget: “Em última análise é, portanto, a capacidade do ser humano tomar consciência da sua experiência, avaliá-la, verificá-la, corrigi-la, que exprime a sua tendência inerente ao desenvolvimento para a maturidade, ou seja, para a autonomia e a responsabilidade”.
Este teórico realça a capacidade natural do indivíduo para a auto-realização. Defende também, na relação interpessoal uma abordagem não directiva centrada na pessoa, de modo a criar um clima propício ao crescimento, onde o indivíduo possa ser autêntico, compreendido e aceite sem condições.

Abraham Maslow (1908-1970) foi outro dos teóricos que contribuíram para a perspectiva humanista. Desenvolveu a teoria da motivação centrada no conceito da auto-realização. Este conceito transmite segundo o autor “o desenvolvimento máximo dos potenciais de cada ser humano. Cada pessoa atinge a sua auto-realização na medida em que procura actualizar os seus potenciais.”

Os contributos das diferentes perspectivas do desenvolvimento humano podem ser instrumentos de análise como forma de fundamentação e sistematização do desenvolvimento pessoal. A reflexão sobre esta experiência pode ser mais compreensiva e profunda se fizermos este diálogo interdisciplinar.

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